terça-feira, 7 de setembro de 2010

Módulo3: Uma estética para corpos mutantes.

Uma estética para corpos mutantes.
                                                                                        Edvaldo Souza Couto
 
O texto trata da certeza de sermos seres mutantes, partindo do principio básico que somos rascunhos de si mesmos e que a todo o momento estamos em estado de mutação. O nosso corpo é a nossa vitrine e a cada dia mudamos o que está exposto, podendo ser um simples corte de cabelo a uma complicada cirurgia plástica para diminuir o maxilar por exemplo.
O movimento de mutação esta cada dia mais acelerado a partir do uso das tecnologias para que essa transformação ocorra em nossos corpos, aperfeiçoando ou simplesmente se “embelezando” na tentativa de satisfazer necessidades cada vez mais transitórias e fugazes. Nada é mais rígido tudo muda, tudo pode a body art esta em alta, fazer do nosso corpo uma manifestação das artes visuais onde o corpo do artista é utilizado como suporte ou meio de expressão. O espectador/ator deve atuar não apenas de forma passiva mas como agente interativo.
O homem mutante estuda as ciências cada dia mais em prol de soluções para retardar o envelhecimento. A necessidade de não envelhecer e de nos tormarmos jovens para sempre, tráz a urgência no uso das tecnologias avançadas no sentido da eterna juventude, na busca por uma vida saúdavel, uma vida ativa, buscando corrigir as imperfeições que o tempo ou qualquer outra adversidade venha a causar.
A potencialização do corpo humano o faz mutante, seja na protetização de um membro perdido ou na melhoria dos que já existem, dinamizando as performances corporais. E nessa onda de perfeição que o capitalismo entra com tudo na fabricação de produtos que proporcionem essa mutabilidade como prioridade na vida do cibersujeito. Cada vez mais avançadas as pesquisas desenvolvem técnicas, tratamentos e produtos que aperfeiçoem o “objeto consumidor”, ou seja, o nosso corpo mutante.

Artigo contido no livro Corpos mutantes: ensaios sobre novas (d) eficiências corporais / organizado por Edvaldo souza Couto e silvana Vilodre Goellner-2.ed.- Porto Alegre:Editora da UFRGS,2009.

Módulo 3: Corpo, fragmentos e ligações: a micro-história de alguns órgãos e de certas promessas.

Corpo, fragmentos e ligações: a micro-história de alguns órgãos e de certas promessas.


                                                                              Ieda Tucherman

“ O homem é um ser que não tem limites: por que é um ladrão, um ser artificioso, um ser da farsa, da mimesis, da técnica” (Stiegler, 2004)

No texto a autora trata que o homem busca de todas as formas reverter suas fraquezas através do uso das tecnologias que desenvolve para consertar, corrigir e aprimorar o uso do seu corpo. O estudo nas áreas da biologia molecular, bioengenharia, robótica, nanotecnologia, genética entre outras reinventamos órgãos e membros artificiais, para sermos livres das (d)eficiências do nosso corpo frágil.

Dessa forma nos tornamos homens - maquinas do ser hibrido: ser vivo/não vivo, natural/artificial, natureza/cultura, orgânico/inorgânico. Assim como no cinema a ficção cientifica invade a vida real para a potencialização do humano que não consegue viver mais sem as maquinas que lhe dão suporte para vencer as diversidades encontradas no seu meio ambiente. Estamos nos tornando avatares no nosso jogo da vida.

Artigo contido no livro Corpos mutantes: ensaios sobre novas (d) eficiências corporais / organizado por Edvaldo souza Couto e silvana Vilodre Goellner-2.ed.- Porto Alegre:Editora da UFRGS,2009.

Módulo 3: Velhice, palavra proibida; terceira idade, expressão quase hegemônica.

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Velhice, palavra proibida; terceira idade, expressão quase hegemônica.


                                                                      Annamaria da Rocha Jatobá Palacios

                                                                             “A velhice é um processo pessoal, natural, indiscutível e inevitável, para qualquer ser  humano, na evolução da vida. Nessa fase sempre ocorrem mudanças biológicas, fisiológicas, psicossociais, econômicas e políticas que compõe o cotidiano das pessoas.”

O texto aborda o como é difícil o “envelhecimento”, suas alterações fisiológicas que ocorrem ao longo do tempo nos corpos humanos. Numa sociedade que busca a perfeição dos corpos o “ficar velho” provoca alterações que acabam por prejudicar o funcionamento dos órgãos e do organismo em geral, gerando uma série de problemas, doenças, e temores da morte. O estilo de vida que uma pessoa leva pode contribuir bastante para o seu envelhecimento como, por exemplo, o sedentarismo, o ambiente também é um fator que contribui ou não no envelhecimento de um indivíduo, já que estamos expostos as suas alterações de clima, a poluição, o abastecimento sanitário e o excesso de trabalho.


O termo velhice por si só já gera um desconforto muito grande nas pessoas, por remeter a condição de invalidez de incapacidade, por isso hoje, a expressão “ Terceira Idade” traz um outro conceito de envelhecimento ativo, que é manter-se uma pessoa social e intelectualmente ativa. Nesta busca a saúde intelectual e física se dá através das indústrias de cosméticos que nesse processo é de grande valia, já que garantem um “envelhecimento saudável”, ou seja, retardam os sintomas do ficar velho. O processo de envelhecimento pode ser equilibrado através de atividades sociais e de lazer o que proporcionam ao indivíduo, nesta fase, o bem estar para que o mesmo não se sinta excluído da sociedade e incapaz de exercer funções.


O uso da expressão “terceira idade” tem crescido consideravelmente, por nos remeter a uma compreensão de sucessibilidade que existiu algo antes dessa fase ou idade. Trata-se de envelhecer priorizando aparência de jovem, já que nos últimos 50 anos a população da terceira tem crescido. Dessa forma as indústrias passaram a desenvolver o uso técnicas e tratamentos que retardem aspecto do ficar velho e feio. Visando assim desenvolvimento de produtos para uso em todas as idades no sentido de começar a prevenção da velhice cada vez mais cedo prevenindo os sintomas do envelhecimento.


Artigo contido no livro Corpos mutantes: ensaios sobre novas (d) eficiências corporais / organizado por Edvaldo souza Couto e silvana Vilodre Goellner-2.ed.- Porto Alegre:Editora da UFRGS,2009.

Módulo 3: Os Percursos do corpo na cultura contemporânea.

Os Percursos do corpo na cultura contemporânea.

                                                                                   Malu Fontes

Nos percurso histórico cultural do corpo, passamos por uma série de fatores que culminam com a busca de um corpo perfeito e considerado canônico, de uma beleza muitas vezes inviável para a grande parte da população. E nessa busca pelas características de um padrão físico tido como “ilustrativo da corporeidade canônica contemporânea” a mídia impressa e televisiva tem papel importantíssimo desde quanto é ela a principal via de exposição desse corpo canônico, desejável por todos neste caso homens, mulheres, adolescentes e crianças é a representação da beleza, saúde, do bem-estar e da potencialização deste corpo.

Nesse contexto temos que ser magros, altos, ter uma pele limpa, o cabelo liso e sedoso, para isso temos que buscar práticas que resultem na beleza vigente. Essas práticas muitas vezes requerem altos recursos financeiros, que devem alterar o corpo real para o corpo ideal. Mas o que vem a ser esse ideal? Talvez seja ser jovem sempre, sem nunca envelhecer, pois o que é velho perde o vigor e a sua função na vida. Na busca incessante pelo belo, pela harmonia de volumes, linhas, curvas e formas, muitas pessoas tendem a transformarem seus corpos das mais diversas maneiras, sejam elas com o ajuda de diversas tecnologias do corpo, medicina, ou com práticas clandestinas. Na verdade o importante é estar “belo” e ”não gordo”. Se o corpo é dissonante disto deve ser modificado até a perfeição, e nada, além disso, será considerado como normal, se for deficiente que coloque uma prótese para que este corpo se torne o mais perto possível dos padrões midiáticos.



Artigo contido no livro Corpos mutantes: ensaios sobre novas (d) eficiências corporais / organizado por Edvaldo souza Couto e silvana Vilodre Goellner-2.ed.- Porto Alegre:Editora da UFRGS,2009.